2014/07/12 Tour “O Bairro Liberal de Cedofeita”

Percurso guiado pelo CHIP – Culture, Heritage and Identity in Porto, a 12 de Julho de 2014, integrado no “Mercado Liberal”, dando a conhecer face liberal do bairro de Cedofeita, nas ruas percorridas pelo rei D. Pedro, na igreja que acolhe o seu coração, nos centros de atividade militar onde se estabeleceram estratégias, nas batarias e miradouros de onde se alvejou e observou a movimentação inimiga e nos edifícios onde o novo poder liberal fixou residência no período após o Cerco e construiu o Porto Romântico de Oitocentos.
Organização CHIP-Iscet e Cedofeita Viva, com o apoio da CMP-Porto Porto Lazer.
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A 9 de julho de 1832 entrou na cidade do Porto, pela rua de Cedofeita, o Exército Libertador, comandado por D. Pedro IV. Com ele terão desembarcado, no Pampelido (Mindelo), cerca de 7500 bravos, muitos deles vindos de um exílio forçado, principalmente em Londres e em Paris. Devido às perseguições da coroa miguelista, sobretudo após a revolução de 16 de maio de 1828 no Porto, muitos intelectuais ou gente ligada aos círculos de poder da cidade e do país foram obrigados a migrar para o norte da Europa, enquanto alguns dos que ficaram foram presos ou enforcados e decapitados, como em maio de 1829, na Praça Nova no Porto, os 12 Mártires da Liberdade. De há muito, o Porto era uma cidade liberal e contrapoder, agitando-se rumo à Constituição de 1822, desde o maçónico Sinédrio, de Fernandes Tomás, Ferreira Borges e Silva Carvalho, à revolução de 24 de agosto de 1820.
Entre aqueles que aportaram no Mindelo com o Rei-Soldado em 1832, encontravam-se algumas figuras incontornáveis da história portuguesa, na literatura ou na política, como Almeida Garrett, José Estevão ou Alexandre Herculano, entre tantos outros. Após o desembarque, a cidade do Porto foi sitiada durante mais de um ano pelas tropas de D. Miguel, num período conhecido como o Cerco do Porto, repleto de combates sangrentos na envolvente da cidade e de muitas baixas decorrentes de uma epidemia de cólera, da fome e dos cruéis conflitos armados.
Da envolvente da cidade chegavam investidas realistas, de Gaia vinham balas de canhão, causando destruição e morte, que atingiam até a parte alta da cidade.
Alguns desses projéteis atingiram também a freguesia de Cedofeita, onde o rei D. Pedro estabeleceu residência depois de um feroz ataque, decretado pelo seu irmão D. Miguel, ao seu primeiro abrigo, o palácio dos Carrancas, atual Museu Soares dos Reis.
E será por ali, entre a rua de Cedofeita, a Lapa, o Quartel de Santo Ovídeo e a antiga rua da Sovela, precisamente a atual rua dos Mártires da Liberdade, que o poder liberal se organizará durante o Cerco do Porto, com o quartel general de D. Pedro, os principais ministérios e até tendo lugar algumas reuniões camarárias, delineando estratégias e definindo o futuro da contenda. Ali se construiu o mito da “Invicta”, cidade que resistiu estoicamente a um bloqueio difícil e longo e a quem D. Pedro IV, por gratidão e reconhecimento, ofereceu o seu coração. Foi por ali também que muitos dos seus bravos heróis estabeleceram residência após o fim do conflito e a ascensão liberal ao poder, pelas ruas de Cedofeita, da Torrinha e de Mártires da Liberdade.
Jorge Ricardo Pinto