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Tour: O Porto e a Liberdade

A realização do tour a 25 de abril foi cancelada, devido ao mau tempo previsto. Nova data a indicar brevemente

ESGOTADO

Num promontório granítico alcandorado sobre o Douro, o Porto desenvolveu-se junto a uma enseada que serviu de ancoradouro, numa curva sobre o rio com vista desobstruída para o mar. Ao longe, a uma distância de segurança dos ataques de piratas e corsários, espraiava-se o Atlântico de onde vinha o comércio internacional. Ali, naquele cruzamento de caminhos, a burguesia comercial portuense, livre do jugo feudal, foi construindo, ao longo de séculos, uma cidade dentro de muralhas graníticas, que unia o norte da Europa ao Alto Douro, e depois ao Brasil, em territórios que haviam pertencido ao Bispo do Porto. Desde os seus primórdios que o Porto andou “de mãos dadas” com a liberdade, por vezes numa confusão semântica que as tornavam sinónimos. Garrett, portuense nascido na antiga rua do Calvário, escreveu, em Londres, em 1829, que “se nossa cidade há muito quem troque o b por v, há muito pouco quem troque a honra pela infâmia, e a liberdade pela servidão”. Todavia, nesse mesmo ano, na praça Nova, eram enforcados e decapitados os doze Mártires da Liberdade, depois de um tribunal Miguelista os ter condenado à morte. Três anos depois, Garrett será um dos muitos “Bravos do Mindelo” do exército de D. Pedro, que aportou na praia do Pampelido para libertar Portugal do absolutismo. Durante mais de um ano, num esforço estóico, o Porto aguentará um Cerco miguelista, duro e difícil, repleto de fome e de epidemias, mas também de balas vindas dos canhões inimigos e de investidas que assomavam pelas estradas de entrada da cidade.

Igreja Lapa


A igreja da Lapa em meados do século XIX

Garrett


Almeida Garrett

D Pedro, grato pela dedicação e determinação da cidade, a ela entregará o seu coração que ficou depositado na igreja que frequentava – a da Lapa. Por ali, nos subúrbios da cidade de então, observava-se a movimentação inimiga em mirantes elevados e travaram-se combates mortíferos e gloriosos. A cidade de Oitocentos, liberal e romântica, eternizou alguns dos seus símbolos na igreja e nos salões da irmandade da Lapa, e enterrou os seus mortos no cemitério anexo, onde vivem, para sempre, figuras como Soares de Passos ou Camilo Castelo Branco. A cidade do Porto, que fez da central praça Nova, a sua praça da Liberdade, interpretou, como poucas, o velho ditado alemão de origem medieval, que afirma que “o ar da cidade faz o Homem livre”. Venha conhecê-la connosco.

Jorge Ricardo Pinto, CHIP

Duração aproximada do tour: 2:30 horas.